Palavras por ver o sol um dia antes da revolução

“O meu olhar vagabundeia no vazio da imensidão que me sacia, no escuro entristecido dos meus olhos. Os meus passos escrevem palavras sem nexo, aos olhos da humanidade construída por eruditos. O meu passado, outrora descrito por um louco escritor que apodreceu entre as palavras, as garrafas, o fumo, e as mulheres que amou e não bem-quereu, encaminha-me. Li-o muito. Reli-o tantas vezes que me vi nele.


 



O meu sentir único e exclusivo é-me querido. Cada voo de gaivota não me é indiferente. Pinto cada rocha como se fosse ímpar. O nevoeiro é em mim o arco-íris no delírio sábio da minha fantasia. Salto de sonho em sonho. Arranjo o tempo como se o concertasse e, escrevo. Exorcizo-me.


 



Gosto das pessoas que me gostam mesmo quando não me gosto. Não sou fácil. Assusta-me a minha sedução pelo vazio, o inexplicável, o suicídio, a solidão, o medo, o desafio, a morte mais do que a vida. As partidas mais do que os regressos. As minorias, os bêbedos, os drogados e as prostitutas são-me queridos. É como se a miséria colorisse a minha vida. Fantasio festins de alegria com as minorias. Vejo-me louco e feliz e felizmente louco. Nunca mais faço as malas e parto, porra!


 


Anseio real o pensamento. Sinto os lábios de rocha e pedra. Amo esporadicamente os momentos.


Assim, antes da vida, do mar e da terra


...............................................................os acordes, o vento e os cravos”.


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