O amor é um convite
Fazer da ausência presença é como confundir a terra, o ar, o fogo e a água, e analogamente consubstancia-los de admiração, confiança, desejo, paz e esperança.
Soltei-me da enfadonha madrugada. No fosso que existe do Outono para o Inverno existe um limbo que me exalta de vida. Nada por mal. Nada por acaso. Nada, por nada ser.
Se algum dia for. Se algum dia chegar a ser. Serei disruptivo e coincidente como o adormecer desamedrontado de um acordar sorrido e desassossegadamente tranquilo, abonado e sereno. São coisas que creio não acontecerem, mas que sei existirem.
A tranquilidade do meu pedaço moreno de mar é uma viagem onde o tempo não me parece a prazo, onde as estações não me parecem cinza em pedaços de nuvens e o vento é mensageiro.
Possuo a dor da ausência e a mascara da saudade. Desde sempre que o momento me insatisfaz. Desde sempre que os momentos me satisfazem. Satisfeito sou, sempre que a saudade saboreia o reencontro e as noites não detêm pressa ou regresso.
O amor é a aceitação de um convite, visto assim de uma forma simplista. O amor é dos seres de luz, dos que se encontram, resistem e aceitam o convite.
O amor é um convite!
Quase que respiro e adormeço fundido na essência que me une ao silêncio, e, assim me fundo no desentendimento do sonho, o que o torna real.
É como baralhar os elementos e ir a jogo, no escuro.
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