Vou escrever uma página em branco de silêncio
Vou escrever uma página em branco de silêncio,
Amarei, quem comigo amar a púrpura calma e seja cúmplice.
O ruído são páginas escritas mais do que lidas,
Inflamadas do um se querer dizer não dito,
Do um se querer mostrar não mostrado,
De um se querer ser não sendo,
Escrevo assim em branco o meu nome cristalizado,
No meu silêncio de névoa e fogo.
Escrevo salpicado de frio, quente, e temperado,
Escrevo sinónimos rebuscados de adjectivos,
Sem expressão,
Isolados,
Falhados,
Ruidosos.
Escrevo o meu nome e o nome de todos os que em branco se passeiam pelo silêncio das madrugadas,
Feitas de um mais que pousado nevoeiro numa planície semeado.
As palavras, a maior parte vezes só desarranjam.
Curvo-me respeitoso a quem me mostra o caminho sem palavras,
A quem solta nas lágrimas o silêncio,
A quem com palavras abundantes de silêncio me entende,
A quem entende mais do que as palavras que se soltam,
A quem entende mais do que o explicável,
A quem explica com um suave toque de mãos,
A quem morde com o olhar,
A quem pede um beijo com um ate breve,
A quem me pousa no peito e embala,
A quem põe na dobra do lençol um poema,
A quem me vê sem me olhar,
A quem com silêncio tudo me diz,
A quem tem no sonho porções de silêncio, liberdade e igualdade,
A quem seja água mais do que terra e mar mais do que ondas,
A quem faça nas velas desfraldadas, silêncio.
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