alaranjada tarde em fim de mar
Sou de ser, de mar, de funestas e crassas hipérboles descompassadas,
Tal como no meu peito urgem famigeradas e famintas necessidades de felicidade,
Sou feliz por ser e não me sei feliz por ter.
As madrugadas em que ousei, patrimoniaram-me o sonho,
Em que albergo a vida,
Em que me albergo a mim também.
Sei-me me feliz por não saber o porquê de me saber contente,
Desta ausência de perguntas às respostas que emudeço e cego,
E faço da surdez a vã gloria de me encontrar perdido,
Neste autismo feliz e duradouro.
Renego o meu corpo por prazer,
Dou-me por me sentir semelhante,
Desta natureza humana sexuada.
A felicidade, o sexo e o amor é o triângulo onde me equilíbrio,
Numa plena e alaranjada tarde em fim de mar,
Arco-íris rasgado na alma que promovo e abasteço.
Sei-me feliz por ser, por estar, por sentir,
Sei-me feliz por me doar,
Sei-me feliz por não me saber vigente.
Sou feliz … no presente do indicativo do verbo sentir.
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