Vinho, abrigo e o meu abraço por doar
Delírio este continuado em absorto pensamento,
Quero descontaminar o que sinto com o que reajo,
O que vislumbro através deste céu carregado de escuras nuvens em dilúvio.
Neste beco feito de arcada e arquétipo da minha alma vigente,
Observo pessoas de rosto húmido atravessando-me no imaginário das suas vidas,
Construo aqui, invisível, o romance da vida dos outros,
Saído dos meus dedos recurvados,
E dos lírios murchados do meu jardim.
A esperança reconstruida e despedaçada a cada par de minutos,
Alegra-me e entristece-me,
O aroma quente desprendido do café relembra-me a criança feliz da minha infância.
O céu está agora mais rancoroso e tem luz de relâmpago em cada esquina,
Quase sinto medo, sentir quase medo doí-me mais, do que o medo feito do próprio medo,
O medo constituído pelo próprio medo é mais leal, do que o medo disfarçado de medo.
O meu romance continua a somar palavras e sentires,
O meu romance é construído pela minha vida em forma observada da vida dos outros,
É imaginado e real, triste e feliz, é um jardim e mar, dilúvio e boa esperança.
Tem aromas e aparências por moldar,
Vinho e abrigo e o meu abraço por doar,
O meu romance estará permanentemente inacabado e albergado de luar.
Comentários
Postar um comentário