A loucura retira-me o calor do teu nome
A loucura retira-me o calor do teu nome. O lar. A ternura do silêncio. O cheiro. O orvalho da manhã. O sorriso das horas descendentes. O regresso a uma casa que nunca o foi. A música escutada com o vento que sopra no sopé da serra.
A loucura retira-me o abraço quente da vinda, sem ser de boas-vindas, pois o regresso é a normalidade da partida em cada amanhecer. A loucura insatisfeita e voraz que me devora antes de se devorar a ela mesma.
A loucura retira-me o destino em antecipação da morte de pedaços de mim.
Primeiro, os braços.
Depois, o peito.
Depois, a cor do olhar.
Depois, o sorriso.
Depois, a esperança.
Depois, os nomes.
Depois, o património.
Depois, o andar…e sobra sempre o mesmo sentir da loucura, quiçá transformada em liberdade, metamorfose da vida em felicidade, na ausência de crítica possível ou justificada.
A loucura voraz que me devora antes mesmo de se devorar a ela própria.
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