Creio nos olhos vivos das crianças

Vivo numa pátria justa de um povo felicíssimo onde metade algumas vezes e todas as demais não se expressa, não tem opinião, ou vive socialmente descansado com o presente e o futuro dos seus filhos, onde as eleições tamanha vitória adquirida após cinquenta anos de inacesso proletário, se esfumou na mesma manhã, em que o povo saiu à rua de cravo na mão, sem ter dado conta de que saiu à rua de cravo na mão.


 


Vivo num país sossegado por dentro, na desertificação do mesmo país que são dois, que são mais do que dois porventura, que são mais do que muitos países com certeza. A inocência da divisão não tem inocência. Quanto mais dividido mais subjugado, a unidade não seduz, não dá jeito para reinar.


 



Vivo num país distraído dele mesmo, onde a existência de caridade alimenta a barriga de quem alimenta. Não se estimula o pensar. Pensar com fome é não existir pensando. Os mesmos, sempre os mesmos, neste Abril quarentão, dividem para reinar.


 


Creio nos olhos vivos das crianças, um dia.


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