Dar: - palavra escassa, invulgar, quase extinta

É de porcelana o meu eu. Loiça de especial ocasião. Na vulgaridade destemida de me perder encontrado, encanto-me. Encanto-me num sentido desilusório da soma das gentes que vou afectando, distanciando-me. No meu caminho serei outra coisa qualquer para alem do que sou.


 


Já não questiono se creio. Não creio sequer se questiono. Gosto da serra que desci desembalado e isento de opinião, desprovido, e esvaziado das raivas que me assolam, de incompreendidas compreensões. Desci sozinho, desci em paz. As estrelas magas juntas e bailarinas em bicos dos pés, saudaram a minha passagem. Nas moitas a bicharada escondr-se dos humanóides. Sábias. Sinto uma voluntária força dentro de mim, que se perde nesta terra que frequento. Indeciso, pressuponho-me num chão onde pudesse dar e fazer. Sem matéria atrás de mim, apenas afectos e letras juntadas para ensinar. Somente números primos e compostos da teoria dos números, compondo o fundamental teorema da álgebra, a quem não tem sequer iogurtes dentro ou fora de prazo para degustar. Vejo-me numa pátria irmanada, trocando notas soltas de uma escala, de quem já nasce naturalmente com o ritmo que me esforço por ter.


 



Revejo-me a erguer muros e destruir barreiras interiores e pardacentas. Vejo-me a rir, construir, partilhar.
O que faço aqui?
Porque não vou?
A mensagem chegou o mensageiro partiu.
Arauto de mim fará um dia terra minha, longe daqui.
Por mim, pelo que tenho para dar.


 


Dar: - palavra escassa, invulgar, quase extinta.


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