Devagar, mas enlouqueça-se
“…A loucura perdoando-se a ela própria. (Excerto de um capitulo Cardílium)
A loucura é tao normal como a sanidade. Enlouquece-se no percurso entre duas verdades. A verdade da loucura da verdade, e a verdade da loucura da loucura. Entre elas existe a compreensão cultural da indução do próprio termo que define loucura.
A loucura são os dias acontecidos, as horas por acontecer, a tomada de resolução, o resultado, o medo, a verdade ajustada ao fim, os meios que justificam a decisão. Existe sempre a loucura do meio-termo, justificada pelo equilíbrio. A loucura aguda justificada pela consequência. A loucura disfarçada, proporcional à decisão.
A loucura não é um termo ébrio. A loucura é um termo consciente pela diferença. O louco não parece louco, e não há loucos falsos. “Loucuro-me” no pensamento divergente de mim próprio. A loucura não é social. A loucura é intrapessoal. Não é louco quem quer. Quem desfaz ou constrói. Não existem loucos. Existe a loucura de quem lê, vê, e sente para além na normalidade da própria estigmatização da loucura.
Loucos são poucos. Muitos são os loucos aos olhos de todos, são loucos na demonstração da sua loucura, na loucura dos outros. Enlouqueça-se, concluiu.
Devagar, mas enlouqueça-se…”
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