idealismo
Ter coisas para dizer não é sinónimo de saber fazê-lo bem. Ter coisas para dizer de uma forma estruturada, consistente e crítica é um caminho, e um caminho, tem tudo o que um caminho contém, esforço, tempo, lucidez, rota e alma de viajante. Sou a história de que faço parte, mas nem sempre sou a história a que pertenço.
Houve alturas em que fiz parte. Outras em que permaneci. Outras em que me idealizei num eu que evolui, em cada acordar. Um eu renascido. Um eu falecido. Um eu evolutivo e desconhecido de mim mesmo.
Há sentimentos que me abandonam com a idade. Melhor, que menos vezes me transpõem, ou ainda, cada vez menos me fazem mossa. O abalo da infância desvaneceu-se na adolescência, aí tudo era vulcanizado e fervente. Depois, a verdade construi-a de idealismo. Depois, o idealismo construiu a minha verdade. A seguir, o ajustamento colocou a verdade num sítio a que não pertencia. Mais tarde, o entendimento percebeu o desentendimento.
Agora e em cada dia que passa, percebo que o meu mundo é muito pouco habitado, e cada vez mais tem uma linguagem que não tem idioma, e um dialecto que não tem palavras. Agora, o meu sentir, tem os mesmos sentires que sempre teve, como adjectivos substituídos, alegorias alteradas e uma desfigurada crença que não tem deus a quem entregar.
Agora, de toda as vezes que fui pássaro e que não aceitava voar, adequa-se há minha essência de viajante.
Agora, todos os cheiros dos aromas das fragâncias abraçam-se a mim, num compreendido sentir.
Comentários
Postar um comentário