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Ninguém é tao bom como se apregoa, nem tão mau como o apregoam. Nem “o meu eu” é feito apenas de mim, nem o outro é apenas feito dele próprio. Nem as árvores estão sempre por vestir, nem os ramos estão sempre desnudados.
Como a alma. Nem sempre nua, nem sempre vestida. Nem desnudada para sempre, nem para sempre coberta.
A alma vive de aconchego. De lar. De cheiro. De saudade. De verdade. De cegueira. De desvario. De presença. De mudança. De visão. De olfacto. De sabor. De escuta. De mãos. De sono. De decisão. De salas comuns. De palavras compreendidas. De mãos. De obra. De pés. De caminho. De história. De estórias. De bocas. De sorrisos. De gargalhadas. De paz. De tempo. De noites. De maré cheia. De vento. De madrugada. De cuidado. De destemperança. De loucura. De natureza. De estações. De água. De céu. De sol. De estrelas. De enchente. De enxurradas. De música. De sexo. De abraços. De entendimento. De querer. De segurança. De paixão. De gritos. De poesia. De poetas. De sonetos. De sal. De mar. De terra. De montanha. De rios. De foz e de nascentes.
Nem “o meu eu” é feito apenas de mim,
Nem o outro é apenas feito dele próprio.
Nem as árvores estão sempre por vestir,
Nem os ramos estão sempre desnudados.
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