avassaladoramente
Cada momento da vida que passa nem sempre termina, não pode terminar se não deixar ir cada momento, deixar ir como um artefacto e permitir que fique como memória. Cada momento pode acabar sem terminar, se decidir não deixar ir. A memória atraiçoa-me.
Não tenho o passado no presente. Tenho no presente o passado. É dissemelhante este exercício que faço. Não tenho o passado no presente numa forma viva ou em possibilidade de vida. Tenho no presente o passado numa forma hedionda e evolutiva de aprendizagem. Também o tenho numa forma valorizada e feliz. Uma é a aparência que deixo ir. Outra é a configuração que guardo. Ambas são património. Ambas são uma decisão, o deixar ir, e o ficar. Cada momento de vida termina e cristaliza consoante a decisão que resolvo.
Sou atraiçoado e devolvido pela paisagem, cheiro, som, sorriso, abraço, vento, mar e poesia. Na poesia vivo por inteiro, completo e …- avassaladoramente -
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