O labirinto oficioso da memória

O labirinto oficioso da memória.


 


É sugerido que a memória guarde o património oficial das emoções. A verdade é que o guarda e o transforma, como uma máquina onde se deposita roupa suja que se renova em limpa e perfumada. É isto que a memória vã me faz lembrar, a transformação que opera e que me induz ao pensamento: - “lavagem de roupa suja emocional”.


 


A memória manda o coração desvanecer, esquecer e negar. É bem verdade que todos os dias renascem novamente. Que os oceanos continuarão a ter marés, e que os rios continuarão a ter nascente e foz. É verdade que a solidão não terminará jamais. É verdade tudo o que sempre senti, sinto. Mudo eu, mudam os intervenientes, mas o que sinto já é antigo e de nascença.


 


Não descobri nenhum sentimento nas últimas décadas, tudo o que sinto, sinto há muito. A memória guarda e resguarda. As vísceras revoltam-se e apaziguam-se. A vida não é apenas a noite, e a noite tem sempre uma madrugada final.


 


O labirinto oficioso da memória é descomprometido com a sua principal função, já a experiência tem a custódia do património oficial das emoções.

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