ser no homem o que escrevo
Uma harpa brade uma adocicada melodia,
induzo em mim uma sonolência de fim de tarde na minha alma,
deixo-me resgatar por aquele corpo de mulher tocada em cordas afinadas,
lua adentro viajo em mim como se a minha existência tivesse sido aniquilada,
as pedras da calçada luzem à chuva que lhe cai,
cresce de forma insegura este poema como mirra o dia antevendo a noite,
invade-me o sabor da recordação dos lábios que me sorriram,
cresce-me o sonho,
o amor cruel,
o desejo feroz,
de ser no homem o que escrevo, a quimera feita de voraz vontade.
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