Sofazando XX
"... No meu bairro, o meu olhar vagabundeia no vazio da imensidão que me sacia no escuro entristecido dos meus olhos. Os meus passos escrevem palavras sem nexo, aos olhos da humanidade construída por eruditos. O meu passado, outrora descrito por um louco escritor que apodreceu entre as palavras, as garrafas, o fumo, e as mulheres que amou sem bem-querer, encaminha-me.
Li-o muito. Reli-o tantas vezes que me vi nele, tantas, tantas vezes, que me revejo nele.
O meu sentir único e exclusivo é-me querido. Cada voo de gaivota não me é indiferente. Pinto cada rocha como se fosse ímpar. O nevoeiro é em mim o arco-íris no delírio sábio da minha fantasia. Salto de sonho em sonho. Arranjo o tempo como se o concertasse e, escrevo. Exorcizo-me..."
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