Sofazando XXI
" ... Gosto das pessoas que me gostam mesmo quando não me gosto. Não sou fácil. Assusta-me a minha sedução pelo vazio, o inexplicável, o suicídio, a solidão, o medo, o desafio, a morte mais do que a vida. As partidas mais do que os regressos. As minorias, os bêbedos, os drogados e as prostitutas, são-me queridos. É como se a miséria colorisse a minha vida. Fantasio festins de alegria com as minorias. Vejo-me louco e feliz e felizmente louco. Nunca mais faço as malas e parto, arre porra!
Anseio real o pensamento. Sinto os lábios de rocha e pedra. Amo esporadicamente os momentos. Assim, antes da vida, do mar e da terra…Os acordes, o vento e os cravos”.
Este bairro que não sei se me habita ou se eu o habito a ele, está para mim como a minha terra esteve um dia, no dia em que saí de madrugada, antes que me desaparecesse a coragem, e, desorientado fico com a minha pertença, nunca sei se pertenço, se me pertenço, ou se sou pertencido..."
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