Sofazando XXII

"... Chove torrencialmente dentro de mim. Brados sufocam-me a visão e desentendo-me com o desconhecido. Desabituado a desconhecer o trilho, só me resta oferecer a minha mão e deixar-me guiar. Adormeço sossegado nesta turbulência que não o é, quando em presença. Todos os dias menos um, foram iguais na minha existência. Momentos iguais progrediram em mim em regressão, uns amorfos, outros desencantados, uns feitos de um falso domínio, outros de conhecimento, mas todos eles albergaram a mentira do entendimento, e a compreensão da anti entrega.


 


As ruínas apenas deixam de o ser depois da obra estar edificada. A surpresa da escolha, do escolhimento, ou apenas da disponibilidade do sonho, tornou real a conversão interior numa alteração partilhada.


 


Quando o céu se debruça e nos toca, as nuvens irradiam uma fragrância de flor. Quando a terra se rebola e nos atropela não resiste em nós mais o medo, e a confiança tem como resposta a expressão da natureza na nossa pele. A imobilidade do sentir não se explica por palavras elaboradas de conceitos. Entende-se pela luz incolor, cega e brilhante. Quando assim é, não existe querer, existem quereres. Não existe vontade, existem vontades. Não existem poetas, existe em nós poesia e, as canções bailam-nos na cabeça a cada verso vivido.


 


O amor é feito olhos nos olhos, sem pressa. Os orgasmos são confirmados pelo abraço seguinte e o acordar da manhã subsequente. O sexo é mais sexual do que alguma vez o foi e, não tem  nome, ou cognome, não carece de dúvidas nem de certezas, é somente a fusão das almas, sem regresso ou avanço, é somente o sorriso e o descanso. É uma decisão interior esta coisa de se entregar o amor..."

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