vida disfarçada

Terra semeada,


Ano após ano,


Vida vivida,


De sementeira em sementeira,


De safra em safra,


É na lide que se escolhe a nossa história.


 


É no plural da mão que se faz o trabalho,


É no singular do conceito que se tem o pão,


O teu corpo sobrevive cansado à tua alma,


O meu desejo já não tem choro nem exultação,


Apenas os nossos olhos se entendem na poupança das palavras,


Todos estes anos não foram tempo.


 


Todo este tempo não possuiu momentos,


Todos os momentos não foram instantes,


Todos os instantes não fecundaram ensejo,


A terra lavrada,


Depois semeada,


Teve a vida disfarçada e ocultada em nós.

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