Bem-vindo à vila da Vida

Volto sempre que posso ao sítio onde pertenço, mesmo não sendo o sítio onde me incluo, mesmo não existindo como minha morada principal, mesmo sendo eventual a minha direcção. Revejo a chuva, o arco-íris e a velha igreja sem frequência.


 


Este silêncio e ausência inundam-me. Tudo me parece novo, conhecido e sempre a primeira vez. Os rostos, os cheiros, os que morreram e os que acabaram de nascer. Volto sem tempo para voltar à ausência do tempo a que pertenço.


 


O tempo no sítio onde pertenço não é tempo. O tempo é sempre igual mesmo diferenciado. Sou eu que passo nele, volto e regresso. O sítio, o tempo, o arco-íris, os rostos, os cheiros e a igreja, são a obra-prima que eu necessito.


 


Volto sempre ao sítio a que gosto de pertencer e não pertenço. É tarde. Parto agora sem vontade para o sítio onde não caibo, mas onde me encaixo, é uma pequena vila com efémeros sentidos e destinos, à entrada tem uma tabuleta com o seu nome, e uma recomendação que diz:


 


- Bem-vindo à vila da Vida -

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