coração incendiado
De coração incendiado sem saber que caminho tomar desfaleço a cada passo. Sinto a alma escurecer, a floresta em alvoroço de vento, árvores e medo. O medo abraçado de mim e eu arruinando com o que me resta de corpo, sem saber que direcção tomar. Cerro os punhos.
Quando abro as mãos depois da viagem, tenho no meu peito o - céu azul, o mar azul, pássaros azuis, arco-íris de azuis, madrugadas de azul e flores azuis -
Cerro os punhos na revolução de que sou dono, quando abro as mãos tenho em mim um - cravo vermelho, um sol vermelho, um entardecer encarnado, um vulcão rubro a dançar, uma vontade cor de sangue habitada na minha vontade -
Cerro os punhos e parto. Abro as mãos. Abro mão. Na minha frente um - verde prado sossega. O rio corre verde. As encostas sobem verdes até aos vales verdes onde desfalecem -
De coração incendiado sem saber que caminho tomar, de alma escurecida à porta da floresta em alvoroço de vento, árvores e medo, sei agora que todas as cores são na vida - a madrugada, a revolução, o sangue, e os prados onde o horizonte me espera à chegada -
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