Voltarei quando menos me esperar

Amo todos os poemas que sou. Todos os poemas que choro. Todos os poemas que vivo. Hoje, esperei por mim em casa depois do trabalho, mas ainda não cheguei. Continuo sentado à minha espera neste sofá que tem a forma do meu corpo habituado. O tempo desaparece e muda-me a vida. Espero brevemente estar comigo aqui sentado, com o velho poeta que canta a revolta e a espera, em acordes que encaixam no poema que tenho por acabar.


 


Tenho melancolia no olhar, sinto-a, e tenho as mãos sufocadas de saudade. Ouço estridente um ruído que me desperta e penso sempre que sou eu regressado, mas não sou, não há meio de eu voltar.


 


Vou ficar esperando-me nesta noite que devia ser quente. Já é mais do que Abril. A noite continua fria e amortalhada no corpo que tomo conta, nesta espera de mim.  


 


Voltarei quando menos me esperar. Com certeza.

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