madrugada sobrelotada
“ … Gosto de reflectir é um facto. Necessito de observar outro facto.
Na reflexão e observação nasço. À velocidade que o mundo está, seria fácil (se eu não cuidasse de mim) aderir aos conceitos dos outros, às frases feitas e divulgadas massivamente, viver até a vida de alguém que não a minha, a sua sensibilidade, reflexão e observação. Não o faço. Escolho-me a mim e às minhas ideias.
Na verdade as páginas partilhadas são conceitos para nos retirar o pensamento, ao invés, promove que alguém os adeque à sua própria vida. É uma coisa do género “não é bem bem isto, mas serve”. Não, não serve. Serve-me apenas o que eu realizo, o que eu penso.
Como pode alguém falar de amor por mim? Falar de sentir por mim? Falar de pensamento por mim? Falar de dor por mim? Ou falar no que eu creio e sinto. Posso (mas posso pouco) achar num pensamento algumas parecenças com um meu, mas neste caso as diferenças são o que falta para ser - o meu pensamento ou sentir -. Não embarco em “post´s” de filosofias que não as do meu próprio crer e querer.
Quanto aos poetas não os há por aqui. Existem uns quantos administradores que administram (duvidosamente) em nome da poesia e dos poetas.
- Os poetas são feitos de outra massa. Mais das entranhas. Mais íntima. Uma massa mais humanizada e menos popularizada. Uma massa não social e sem nenhuma importância se se gosta, ou se não se gosta.
- Os poetas não têm tempo real tal é a velocidade da sensibilidade percebida.
- Os poetas acordam para escrever, não escrevem encomendado por nenhum editor.
- Os poetas têm nas vísceras a angústia e o sentir incompreendido.
- Os poetas têm no retiro a exaltação da plenitude da solidão.
- Os poetas e a poesia não são de megalómanas manifestações sociais, nunca o foram, nunca o serão.
- O poeta é um miserável emocional tal a grandeza que é ser miserável aos olhos de uns, e engrandecimento aos olhos de alguns.
Gosto de pensar e observar no recanto da minha alma fugidia …da madrugada sobrelotada …”
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