ópio quando se torna povo … cega.


Todas as palavras vociferadas voltam à boca de quem as brade. Toda a mágoa acusada volta à mão do acusador. Todo o dedo apontado ricocheteia na essência do momento. A ilusão não fere a cegueira da verdade. O alívio usado e adiado sangra em peitos inocentes, adornado de palavras desprovidas de autoria. Palavras ajustadas da vida dos outros como se coubessem na nossa vida, por momentos aparentam-se lindas e iludem o encaixe que ser quer passar. É como uma bala perdida que acerta num inocente amor. É como o ópio quando entra nas veias. É como o ópio quando sai do corpo. É como o ópio quando se torna povo … e cega.


 


 

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