Os livros
Os livros ardem intocáveis nos escaparates,
Poesia de poesia saboreada nas mãos trémulas de quem os folheiam,
Quem escreve não se define nas palavras,
O que esclarece, limita ou elucida,
É a paisagem que se percorre nos olhos de quem vê lendo,
De quem sente sendo,
De quem chora por quem amarga,
De quem ri por quem afaga,
De quem faz plural o singular,
De quem não se cala e se transforma,
De quem por ser poema se incendeia,
De mãos trémulas num livro que se salva aberto por estar fechado.
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