A aproximação da morte potencia a vida
A aproximação da morte potencia a vida.
É como um jogo, querer viver em pleno a cada instante que a morte se abeira. Com a idade, o valor da vida retorna ao seu valor real. Ficamos mais conscientes da dádiva que foi o desperdício do tempo miseravelmente gasto. Das noites desgraçadamente consumidas. Dos invernos desaconchegados e dos verões transpirados de gente, sem ninguém que fosse gente, sem pessoas que fossem alguém.
Com o tempo desgastado e sem regresso, cada dia é menos um, e os cumprimentos habituais sob a forma de um: - “ está tudo bem” ou “é mais um dia”- sangram num: - “é o que faço por ser” e analogamente “é menos um dia” - e, é esta a aproximação à morte que potencia a vida, agora num corpo encarcerado de uma alma mais serena e de uma vitalidade acercada de património vigente e ousadia desvanecida.
As mágoas já não são mágoas, passam a ser tesouros divididos com quem nos serões, escolhemos para nos acompanhar, nas escolhas de quem nos acompanha.
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