A arte da espiritualidade
Eu sou um homem das artes e de alguma conseguida espiritualidade.
Tenho nas artes o recato introspectivo do espírito. Na minha espiritualidade existe apenas a entrega da minha espiritualidade.
A minha arte não tem a arte da espiritualidade. A espiritualidade não tem a minha arte.
Na arte que escrevo, leio, oiço e vejo, sinto-me descomposto, desorganizado, desconstruído, desnudado e espiritual.
Este sentir tem os mesmos anos que tem a minha idade e o meu mundo.
Continua a não ser comum e fácil a sua partilha, aceitação e entendimento. É um mundo desabitado de gente, farto no sentir, solitário e desumanizado, tal é a humanidade incompreensível que detém.
Baixo os braços ao desencalce que consegue. É meu. Só isso. Simples para mim. Inalcansável na maioria das vezes para os outros.
Gosto dele, mesmo reconhecendo a sua dor feita de momentos felizes de pedaços.
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