A decência de eu ser
A decência de eu ser, a uniformidade de ser eu, neste mar acrescentado de terra que é o meu país. O meu país é pouca gente, somos dois ou três a quem eu bato à porta de madrugada, quando a madrugada me sangra no pensamento, num rodopio escanzelado e cruel que quase me faz descrer na minha decência de eu ser, na uniformidade de ser eu.
Este meu país de mar acrescentado de terra, onde me falta terra e sobra mar, onde o mar se ajunta de terra e eu, me reconforto em dois ou três peitos feitos de mar, amizade e amor. Os meus amigos lembro-os muito. Vejo-os menos do que as vezes que sangram as madrugadas em mim. A sua porta sempre aberta espera-me entreaberta, é este o país onde vivo, um país pequeno de mar, acrescentado de terra.
As minhas palavras tendem à normalidade para me sentir menos só, o entendimento do que sinto é invulgar e, muitos dias os há, em que sozinho me sinto menos só.
Comentários
Postar um comentário