existência e ressurreição em cada manhã.
Preparo o barco da ilusão para me lançar na minha viagem. Sem astrolábio ou carta de marear, sem saber dos ventos ou das estrelas desenhadas no céu, sem conhecimento das marés ou sequer da sorte.
Não conheço nem o destino e, a avaliar pelo que sei do azar, do vento, das estrelas, da carta de marear que não tenho, ou do astrolábio, nenhum deles seria mais audaz do que a ilusão que detenho, e o sonho que parte de mim, nesta viagem que inicio sem medo, fé, ou conhecimento.
Assim foram todos estes dias que vivi até hoje. Dias semeados às semanas, regados de meses a fio de soalheiro, e chuva de anos e sobrevivência. Chegou a hora em que a morte e a vida já não se importam mais com o desamor.
Agora, somente resta e basta o quanto baste em suficiência para ser definitivamente caminhante de mim mesmo, sem sentir a solidão de me ter somente a mim enquanto navegante, e sentir o mar na face, as estrelas no peito, os vento no desejo, e a ilusão no sorriso e no pranto.
Sem medo. Sem medos. Sem coisa nenhuma, porque nada há para haver, para além da existência e ressurreição em cada manhã.
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