Pudesse eu

Pudesse eu trocar de peito, de alma, de amor, de vida e de choro,
abraçar cada madrugada sem querer saber das manhãs,
de cada encontro vislumbre de encanto,
de cada noite como folha branca virgem das palavras que choro,
das vísceras desordenadas e das penas doridas por saciar.


 


Pudesse eu desencantar-me a uma ordem desobedecida de mim próprio,
a um mar e à calmaria da planície,
ao sôfrego querer descompassado e imundo do meu corpo,
e há espera perturbada dos meus olhos,
Pudesse eu querer a felicidade sem questionar o caminho desconhecido.

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