Quase que já não lembro o tempo

Quase que já não lembro o tempo, quando o tempo desistiu de mim, o tempo em que a angústia era a decisão.


 


Hoje, já nada decido e, a angústia já nada tem para decidir nos meus dias.


Hoje, já nem recordo o rosto daquela mulher que chorou para não partir.


 


Hoje, já nem recordo a escolha, o cheiro, o nevoeiro de todas as manhãs, o nascer do dia sem sol, e o sol que nascia ao meio dia, apenas recordo os meios-dias de sol e as meias-manhãs de nevoeiro, o seu rosto, já não me lembro.


 


Recordo a voz.


Era uma voz feita de sombra, grave, doce de silêncio.


Recordo as mãos de aconchego e o timbre amoroso como gemia o meu nome.


 


Quase que já não lembro o tempo, quando o tempo desistiu de mim.

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