Dias e noites

Todos os meus dias têm em todas as noites,
Maresia, nevoeiro e poesia lida à luz de um velho candeeiro,
Que treme na esquina que o alberga,
Com as mulheres e os segredos que detém.

Todas as noites têm em todos os meus dias,
Loucura e juízo se é que ambos existem,
Distância do ventre parido a da pia baptismal,
Esquinas mal afamadas e as notícias de há três semanas de um amarelado jornal.

Todas os dias e todas as noites são inseparavelmente corpos sem alma e alma sem gente,
Meus, de ninguém, gente só, gente sem gente,
No candeeiro da esquina dos segredos quase sem vida,
Resta a luz trêmula com que se faz a poesia,
Restam as garrafas vazias com que se esquece o coração.

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