ruinosas janelas defloradas
“ … Antigos bocados de história nas paredes feitas de ruínas, de uma casa que é mais do que uma casa feita de ruínas. Adivinho vida nas janelas largas, onde a luz dia após dia em massacre, desfez os blocos sobrepostos uns aos outros, uns nos outros, uns com os outros.
A vida desfaz-se quando a luz acorda o dia e não rasga a alma de um novo tempo. As janelas quando não se abrem adiam cada dia, perene como as folhas de um outono em rigor. Relembro os espelhos contruídos com a chuva e pequenos furacões de pingos de água nas poças, com o enfumaçado tempo a sair-me respirado pela boca.
Relembro o tempo a acordar-me de vida, outro tempo, outra vida. Recordo rostos que já não defino, vozes que conservo, sentires que guardo. Resguardo-me da sensibilidade com que me deitei todas as noites, antes de me deitar com uma mulher ou o mar.
Vivo com tudo o que roubei a mim próprio, com tudo o que fugi de mim mesmo, vivo com a fuga ao amor e o risco de ser feliz … “
A vida desfaz-se quando a luz acorda o dia e não rasga a alma de um novo tempo. As janelas quando não se abrem adiam cada dia, perene como as folhas de um outono em rigor. Relembro os espelhos contruídos com a chuva e pequenos furacões de pingos de água nas poças, com o enfumaçado tempo a sair-me respirado pela boca.
Relembro o tempo a acordar-me de vida, outro tempo, outra vida. Recordo rostos que já não defino, vozes que conservo, sentires que guardo. Resguardo-me da sensibilidade com que me deitei todas as noites, antes de me deitar com uma mulher ou o mar.
Vivo com tudo o que roubei a mim próprio, com tudo o que fugi de mim mesmo, vivo com a fuga ao amor e o risco de ser feliz … “
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