Excerto xv
"... Não vou esperar mais pela madrugada, o pôr do sol, por deus ou pelo demônio, ficarei com as palavras que desentendem o meu entendimento, retomarei a minha condição de náufrago sobrevivente, lançarei ao mar todo o oceano que me invade, toda a vergonha e o medo que tenho das pessoas e do mundo.
Não vou esperar mais, nem vou esperar menos, a sorte sai ao sábado na lotaria que nem compro, logo, não serei um dos eleitos do entendimento com que me desentendem.
Não sou uma pétala sem flor, sou todas as pétalas de todas a flores e a fotossíntese do meu ser.
Despedi-me assim da última mulher da aldeia, da última aldeia que existiu. Despedi-me sem flores. Apenas com terra e palavras.
Parti. Já não há gente. Só casas e bocados de casas, com pedaços de quintal e ervas que crescem mais do que o mar. Não sei se há mais mundo depois da falência da minha aldeia.
Vou à procura. Não vou esperar mais pela madrugada, o pôr do sol, deus ou o demônio..."
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