loucas memórias que me falcatruam
Toda tu me cegas como a neve que queima a ausência à temperatura,
todo esse bosque em ti,
esse foguetão que deu na televisão a espetar a lua,
todo o teu bairro,
os teus homens,
os teus filhos,
a tua cegueira transformada em neve que me queima por te não ver.
Toda neve tão gélida quando me olhas,
esse bosque que se solta de vento e sibila,
esse foguete humano que parece mentira,
o teu bairro todo inteiro te vê imóvel à tua passagem,
os teus homens construtores do seu próprio medo e desejo,
os teus filhos que te quebram,
e a tua cegueira neve verde, loucas memórias que me falcatruam.
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