relógio de arvore
Gostava que as árvores dessem horas. Como o relógio da torre que me acorda da ressaca matinal.
Preferia ser acordado pelas árvores. Preferia ser rasgado na pele pelos seus ramos e beijado pelas folhas a caírem delicadamente.
Gostava de destrambelhado com a manhã, me cruzar nos olhos do cheiro a inverno, adocicado pela fogueira que ainda massacra a lenha por arder.
Se as árvores lamentassem as horas, plantava uma ao fundo do meu corredor, um relógio de árvore.
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