Gorduroso
“… Bom dia, disse eu por mera educação.
Não me importa lá grande coisa acerca do dia daquele homem vermelho e brilho na cabeça. Gorduroso. Aquele ar empanturrado e uma misteriosa expressão de sapiência intocável para não ter que falar de "assuntos". Aquele gajo dissimulado, de voz baixa soprada, simpático e espiritual escondido num nickname, intragável pelo odor baço e pérfido que exala, quando se cruza nas salas desta vida. Um aristocrata do fascínio analógico à podridão latente da alma. Conheço-o há muito tempo. Vendia droga aos miúdos, e apalpava as miúdas escondido no poder dos tacos que passava. Sonhava ter um Porsche sem trabalhar. Conseguiu não trabalhar toda a vida. O Porsche que me conste não o teve.
Quero eu lá saber se ele tem ou não tem um bom dia, para a próxima digo-lhe …”
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