o suplício da minha sombra

Detesto a sombra que me segue quando o luar se dispõe num ângulo imprevisível de não ser seguido por mim próprio. Adorava passear pela noite adentro e afora e, não ter a minha companhia, nem que por milésimos de segundo, isso o fosse.


 


Adoro o luar e a luz cálida e breve da noite.


Adoro todas as ruas em forma de braçado de luz.


As árvores florescentes.


A serra ao longe em movimento.


 


Detesto a minha sombra que adoraria liquidar, e, andar por aí ao luar de barriga cheia de felicidade se me conseguisse deixar em casa, ou escapar-me de mim um pedacinho que fosse.


Assim não sendo ou assim sendo, levo-me sempre em passeio ao luar por estradas, sítios ou locais, onde não existe mais ninguém que nós os dois, a minha sombra e eu, e o suplício da minha sombra.

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