Excerto de setembro atrasado
".. Depende disse eu. Tudo é terra. Nem tudo é caminho. Já percorri terra que não foi caminho. Já dei a mão a pele que não me queimou.
Já fui aos teus olhos poeta porque o teu corpo ardia pelo meu, mas a poesia nunca a entendeste com a alma. O corpo e a alma, só são caminho, se a poesia e as mãos forem calor.
Depende disse eu novamente. Tudo depende. Uma coisa sei. Na madrugada quando quero ser manhã, há possibilidade, mas quando me sinto demasiado composto significa que não entenderás nunca a minha poesia, porque na verdade não sou um poeta, apenas me expresso em poemas que o teu corpo surdo quis saber, mas a tua alma cega nunca viu.
Mais cedo do que tarde, sempre soube que o teu corpo cederia à banalidade dos corpos. Eu seria sempre a prisão de que te quererias desencarcerar.
Duas línguas, dois paradoxos intangíveis. Não é certo nem errado, depende. Eu entendo. Sou um poço de entendimento.
Não atingiste como o não o fizeste com o Torga . Como te digo, não depende mais.
O fascínio atraiçoou-te, tal qual a traição..."
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