Baía de Sines
eu não sei se nesta espera o meu corpo resistirá,
sinto-o a ceder quando me sento defronte para a baía e:
- oiço os teus passos que já não podem ser os teus passos,
o teu cheiro que já não pode ser o teu cheiro,
o teu envergonhado sorriso que já não pode ser o teu envergonhado sorriso,
o teu silêncio glorificado transformado em mim no ruído do meu corpo,
na espera que aguardo,
sabendo que não virás mais, mas que me esperas -
agora,
restar-me-á a recordação, a saudade e as tardes defronte à baía a olhá-la,
cuidando dos laços que enlaçámos.
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