asno obediente
Dias estes obedientes à solidão. Falo logo pela manhã. Não sei o que digo e mal me recordo do que ouço. Falo pouco. Falam-me muito. Não me lembro. Recordo simples vozes e o desinteresse pelo que me dizem, mais o desapego que retribuo, sem importância de ambos ou ambas. É o que recordo.
Dias estes obedientes em corredores fundos, climatizados com gabinetes pensados para que a luz pareça ser luz, o som pareça ser sonoridade, e o ar pareça ser respirável, tentativa vã e frustrada de fazer obediência ao salário prostituído, mais do que recebido ou pago, pelo sexo que devo e quero.
Obediência esta de receber o recado de ser um asno pardacento, recado esse entregue a mim, por mim próprio, asno obediente.
Comentários
Postar um comentário