excerto de val do mar de abril

"... houve uma breve pausa no teu olhar que me gelou.


Conheço pelo reconhecimento da tua voz o teu olhar. Vejo-te sem te ver, e, sem olhar, sei o que a tua voz sente. Pelo teu andar detecto o chão, e sinto preso no teu caminharr, a tua vontade de abundante felicidade a querer enlouquecer a miséria do teu sentir. Sei da tua luta. Sei a estratégia da tua labuta.



Sei toda a tua força e juventude, os teu ais, o teu gemer, o teu sofrer, as tuas gargalhadas misturadas de animo e prazer, fecundadas pela ironia de querer sem querer, de ser sem saber, de ter sem precisar, de enlouquecer e cegar, entre a saudade e a mais profunda vontade de ficar.


Sei de ti só pela rouca voz sussurrada, de mãos cravadas e erguidas, desacreditadas dos deuses, mas aos deuses oferecidas.


Sei coisa alguma de ti, e de ti, sei tanto ..."


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