Uma quimera por fecundar um mundo
" ... Sabes, no meu próprio respirar existe o mar alvoraçado de madrugada, e o pranto da mulher a chorar pelo amor que morreu.
No meio da minha vida algures ficou a vontade de ser viajante, trocada pela imóvel inércia de olhar para aquele oceano reflectido nas leves recordações das caras que já nem recordo.
Sinto-me "desvivo", sem retorno ou acipreste deflectido que me guarde em sua sombra, à boleia das ladainhas das viúvas, de choro disfarçado de vida, mais vivas do que eu, mais entusiasmadas pelo desnorte do que os ventos alísios, frios, corpulentos, desfraldados e orgânicos.
Sabes, no meu próprio respirar existe o mar alvoraçado de sonho, de fantasia, de outro planeta construído de gente, abraçada a gente. Uma quimera por fecundar um mundo …”
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