Tempo IV

A tua voz deixou de ser a tua voz, como aquele velho relógio de sala deixou de responder ao tempo.


 


Deixaste de me visitar todas as manhãs, e todas as noites passei a adormecer na espera que o relógio se amantize com o teu peito, e tu me voltes a visitar todas as manhãs. 


 


A tua voz matou o tempo em que não te ouço. 


 

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