O bairro inteiro vive nas traseiras
Há dias verdadeiros em que me defendo de mim e sou.
Dias feitos de bairro onde estou só, onde estou eu, o jardim de trás, os cães, a relva por cortar, a água dentro das poças, a passarada, os antigos e sumidos desenhos na pintura gasta e velha do prédio, e os “amo-te”, redesenhados e avivados com a paixão, substituídos por nomes feitos de presente.
Já li: “amo-te claudia, patrícia, rosa, maria, susana, isabel, palmira, fernanda etc” e tantos outros que afinal não são nomes desenhados na parede traseira do prédio, desavindo com a parede da frente.
Há desenhos de sol, nuvens, paz, e poetas mortos. O bairro inteiro vive nas traseiras. É por lá que nada existe.
Saudades
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