estranho e organizado caos

podia abrir-te todas as portas e as gavetas,


deixar-te rebuscar toda a minha vida,


ficares sabedora dos meus amores,


de todas as minhas dores,


de todos os meus caminhos,


os maus,


os bons


os meus.


 


podia abrir-te todos os meus pensamentos,


todos os meus desejos,


todos os sonhos por inventar,


todos os meus sonhos até por sonhar,


podia “ladainhar-te” todas as minhas preces,


todos os meus credos,


que mesmo assim,


me acharias o mais estranho e organizado caos.


 


podia abrir-te todas as janelas de mim,


deixar pousar os pássaros no parapeito,


que a felicidade seria voo,


sempre que o vento se agitasse,


as nuvens do céu se movessem,


e todas as melodias se calassem,


a cada descompasso,


em que o meu coração sobreviva.

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