Avó
Lembro-me sempre da minha avó. A mãe de meu pai, que tal como mãe, não tive mãe de minha mãe.
Tenho alma de geração antiga, alma de quem resolve a vida com canções, de quem resolve a dor com mezinha e sabedoria trazida pela estações. Trazida pelo tempo somado de dias gastos e manhãs segredadas pelo horizonte.
Lembro-me sempre da minha avó sentada, já morta pela vida, adormecida à minha chegada. Lembro-me dos olhos que riam de azul. Dos lábios finos e esguios como o andar.
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