Recordo todas as flores
“… olho nu a noite.
A cada vez que sinto o corpo indecente, afigura-se-me outro erro que jurei não cometer. Espero não ter dilacerado nenhum órgão, e que o meu sangue não jorre noutro local de mim, que não e somente nas minhas veias.
Olho desnudado o dia.
Recordo todas as flores menos uma que não cheira a flor, não sabe a primavera, não poloniza em estação nenhuma, porque para ser flor, não é suficiente ter pétalas, caule e espinhos, para ser flor, é preciso a autenticidade dos astros, a melancolia em forma de preguiça da planície, o aperto do sossego do mundo, e voz de aconchego e sonho.
Olho a praia em despedida.
Sei que quando voltar, não haverá quem tome o meu lugar junto do mar…”
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