É eterna, impaciente e necessária, a minha solidão, Abril abriu-se mais uma vez
Quem não muda decompõe-se. Decompus-me antes de mudar. Se não se o é antes, ser-se o há, depois.
Mudei. Transformei-me nesta filosofia, pendência e aroma.
O Alentejo em Abril é ainda mais Alentejo. Decompõe-se quando dele se afasta, tal qual a humanidade.
Gosto do castanho enrugado da terra, do céu estrelado, e do mar moreno na pele daquela gente.
Gosto dos lenços de ramagens à cabeça, das ceifeiras de Portugal.
Gosto da sabedoria de quem acha que nada sabe.
É eterna, impaciente e necessária, a minha solidão, Abril abriu-se mais uma vez.
A 24, enviuvou a ditadura.
A 25, pariu-se a Liberdade.

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