talvez

talvez como o sangue,


talvez como as árvores,


talvez como nada nem a solidão,


nem o lago iluminado na madrugada,


e a lua lá pousada,


a geada que me acorda em mais uma semana suada, 


talvez nada.


 


talvez nada me dirija nem o olhar,


nem a força de um operário,


e a mulher desmaiada a fingir que já não vive,


nem a presença do mar,


e o filho já ausente,


já não tem a quem querer,


o marido entristecido que se põe nela sem amar.


 

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