catarse
esta catarse colectiva de chorarmos todos porque todos choramos,
sem saber exatamente a quem pertencem estas lágrimas
que todos celebramos neste choro,
esta celebração incoerente a que todas todos em choro pertencemos.
eu choro porque acabou abril já lá vai o maio todo,
e não me perco em abraços colectivos de restauração da cultura porque nunca lhe infligi um fim,
nem choro o velho acordo ortográfico porque nunca lhe concedi um nascer,
nem choro merda nenhuma que outro alguém chora, porque esse choro não é o meu,
choro apenas o sonho “desonhado”,
e a saudade do tecido verde com que te enfeitaste na tarde soturna do verão passado,
padeço só desta melancolia que me alegra,
e da recordação que se expirou nas palavras que dissemos,
....sem choros.
o sonho de Catarina não morreu,
levou-o ela viva,
com o roufenho e traiçoeiro disparo alentejano,
que guardo em surdina revolta,
neste maio sem treze celebrado.
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